
Olhar fotografias é como viver tudo novamente. Tornamo-nos telespectadores de nossas próprias vidas, rindo do sorvete entre amigas, romantizando sobre sorrisos congelados, festas, avós, amigos que nem estão mais por aqui. Guarde todas as fotografias que puder. Elas são um elo como passado e um comparativo com o futuro. A diferença entre as fotografias de meus tios e as minhas está no número e na intencionalidade. Embora, eu ainda preserve a função de registrar, as minhas fotografias intentam muito mais exibir do que guardar os momentos e as pessoas. Mexendo no meu computador, não no meu álbum fotográfico, descubro um mundo de sentimentos adormecidos aqui. Assim, de um jeito tão sereno, deixo a música que ouço me mover por entre as imagens e me permito pensar sobre as conversas que tive naquele dia, as pessoas que encontrei e o motivo da reunião com os amigos. E como é bom olhar as fotos do início de um romance, estar vivendo com alguém e poder ver os abraços, as mãos dadas, os beijos do amor que nasce e os sorrisos trocados. É tudo estático e presente, tudo lúcido e feliz, os sentimentos imóveis captados. Fotografias têm a ver com o inexorável. São fiéis a mim, aos meus sentimentos, ao que penso. Mas, para que cismei de olhar minhas imagens antigas? De vez em quando olho-as, gosto de encontrar comigo. Ver fotografias é uma maneira de notar mudanças em mim, em minha vida. A realidade paralisada sob o ângulo que me pertence e não pode ser de mais ninguém. Transfiro minha visão para que outras pessoas interpretem, se emocionem, confirmem e principalmente enxerguem o meu modo de ver e destacar a realidade.

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