João Moreira Salles, professor da área de comunicação da PUC - Rio, autor do ensaio intitulado Um documentarista se dirige a cientistas, expõe a problemática relacionada à hiper-valorização das artes e das humanidades em detrimento das ciências exatas e da engenharia, bem como as prováveis consequências desse processo de desvalorização da ciência para o desenvolvimento tecnológico, científico e cultural do Brasil.
Verifica-se uma falha de comunicação entre a área de humanas e artes e a área científica, explicada em parte pela falta de interesse dos próprios cientistas em se comunicar com a comunidade não-científica, em parte por culpa do governo brasileiro que não investe em políticas de promoção da ciência, e, em mais importante análise, pela falta de interesse da área de humanas, que trata a ciência como um objeto estranho. Aos intelectuais e artistas, interessa apenas refletir sobre a precariedade da condição humana e sobre o drama do indivíduo no mundo. O interesse dos cientistas, por sua vez, seria decifrar os segredos do mundo natural e, se possível, criar instrumentos que funcionem.
No entanto, o que o autor explicita duramente é a profunda ignorância dos estudiosos das “humanidades” com relação aos conhecimentos básicos em ciência. Além disso, João Moreira Salles sutilmente declara que, o nível intelectual exigido para o mínimo de afinidade com as ciências é notoriamente superior ao exigido pelas “humanidades”. Nesse ponto, fica evidente a tentativa de sobrepor a área científica às demais áreas. O autor afirma claramente que as ciências humanas têm um objeto de estudo restrito e bloqueado, além de alimentar a profunda ignorância no que se refere aos conhecimentos científicos. Então, o autor defende a necessidade de uma comunicação efetiva entre essas duas áreas tão dissonantes, a fim de sanar a ignorância das ciências humanas. Mas, o principal intuito de Moreira Salles é a valorização das ciências enquanto único meio de organizar a sociedade em torno do investimento e da invenção.
É possível caracterizar o pensamento do autor como unilateral no que concerne a profunda ignorância das ciências humanas quanto aos conhecimentos científicos. Uma vez que, João Moreira não faz um movimento contrário no sentido de salientar, tão duramente, a deficiência dos intelectuais da ciência quanto aos conhecimentos das “humanidades”.
Portanto, é bastante coerente sua defesa da necessidade de uma comunicação efetiva entre as áreas humanas e as ciências, uma vez que o conhecimento produzido por ambas devem reunir-se num único propósito, o progresso da espécie humana em sociedade. Mas, para que isso ocorra significativamente, é necessário um maior investimento e valorização da ciência por meio de políticas públicas. A partir desses incentivos será possível mostrar a importância da ciência na formação intelectual dos alunos, além de evidenciar o quanto a construção desses conhecimentos é necessária para o desenvolvimento da sociedade em vários aspectos.

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