terça-feira, junho 14, 2011

Entendendo sobre solidão



Ele está com o semblante da morte. Depois que ela se foi, ele só deseja e espera pelo fim da sua vida. Foi isso que entendi. Mas quando eu estive por lá era essa a expressão também. Sentado na cadeira de rodas, ele lamentava e chorava. O choro mais incontido e emocionante foi o da minha chegada. "Perdi o meu tesouro, a minha riqueza". O incrível é que durante todos esses anos morando lá e sabendo da relação deles eu nunca tinha previsto esse amor e essa falta que a vida dela faria à ele. Diante da morte, esse  indesejado e inevitável inverno, somos pequenos e frágeis. Somos suplicantes. Somos tristes. Ele, agora, abraça e diz que nunca imaginou tamanha dor. Eu perto dele, não concebia também. Ele olhava para o chão e dobrava o seu lencinho. Eu suplicava para não amar durante tanto tempo, decidia não sentir a falta de alguém assim a ponto de desejar a morte depois da partida. Pensei: para que? Por quê? E por quanto tempo? Sem querer, desejei também o fim dessa agonia.


1 comentários:

Eliudson disse...

...beleza triste... é quase possível absorver (sentir) o que dizem as palavras...

Você diria que há conexão pertinente entre teus textos? Também não precisa responder...
Belo texto!

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