O rapaz escreve como o Nelson Rodrigues, ama como o Pablo Neruda, nutre velhas esperanças como o Drummond, mas esqueceu de que a vida é muito mais que isso. E lá se foi o voo que o levaria além do que era. Era vilão e nunca deixaria de ser a partir do passo adiante, diante do espelho. Nos seus textos, que possuem a tênue linha entre o esquecimento e a glória, nota-se a petulância dos que amam e acreditam ser amados. Tolice. Neste ponto, infantilidade. A justa medida nunca existirá. A única realidade é que se fez amar, amou, traiu, chorou, abraçou, marcou. Conjugou o verbo mais do que qualquer pessoa. Por que conjugava, ouvia e conjugava novamente mentindo para si mesmo e para o mundo. E quando resolveu falar a verdade, nem ela, nem o mundo possuíam a estrutura auricular necessária para separar mentiras de enganos, verdades de crenças. Negamos-nos a ouvir o que parece confuso, confuso é o rapaz que se negou à voz do coração. Sei que ainda sonha sonhos mudos temerosos de gritar. Passou.
quarta-feira, abril 27, 2011
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3 comentários:
Adorei...Você escreve muito bem! Estou vivendo algo parecido. Parabéns pelo texto.
"Negamos-nos a ouvir o que parece confuso, confuso é o rapaz que se negou à voz do coração. Sei que ainda sonha sonhos mudos temerosos de gritar. Passou."
Bonito, muito bonito...
Obrigada. Assim que mais tempo eu tiver postarei textos que tenho "engavetado" por medo ou prudência.
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