quarta-feira, agosto 11, 2010

Músicas e dúvidas: seus laços.


           Eu gosto de contar o tempo, mas dessa vez foi ele que “me contou”. Relatou sobre músicas e dúvidas e me esclareceu que em minha vida elas estão estritamente relacionadas. Aconselhou-me que parasse de ouvi-las. Ambas. As dúvidas são dívidas infindas. Pagamos e voltamos a dever. Elas corroem o seu fígado e esquecem que existe coração. As músicas conseguem chegar a ele. O destroem por vezes, por outras alimentam seus sentimentos. Dizem que ele é um músculo involuntário que pulsa por algo ou alguém. Que ele deve isolar-se tal qual um doente terminal. Outras vezes o enganam. Mentem, dizendo que se trata de uma fênix e o obrigam a ressurgir das cinzas. Vivo, novamente, e desesperado só pede um tempo para se encontrar nas diversas máscaras. As letras que me levam as dúvidas são amantes da melodia que esclarece tudo. E nesse movimento de perguntas sem respostas e labirintos sem paradas seguras sigo viciada em ouvir e fechar os olhos para sentir. A dúvida sempre foi o ônus da beleza.

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