segunda-feira, setembro 06, 2010

Aprisionando borboletas

                   O que a gente não inventa não existe. Eis que em uma dessas noites tramei cores numa folha branca. E gostei de brincar. Manualmente, sim. É interessante também. É antigo, mas não é cruel. Estava entre a música e os lápis de cores variantes, devo confessar que não tenho predileções entre elas. Outra confissão; tudo é memória. Quando me ponho a desenhar e a escrever só posso fazê-lo lembrando do que já produzi nesse sentido e em outros âmbitos também. O problema é que são cópias da realidade, gostaria de extravasar. Mesmo que, misturando cores do real, mas criar o ilusório... entende? Jamais consegui. Digo que minha borboleta de tão bela foi torturada... Queria que ao vê-la imaginasse que voava.. nada, ela permanece ali inerte feito uma borboleta pintada. Decepção. Para mim e para quem me presenteia com lápis coloridos no meu aniversário. Puro desapontamento. Não fosse pelo prazer deixaria de me decepcionar. O caso é que me sinto menina quando tento fazer "borboletas" voarem no papel. Depois? Depois penso que em vez de pintá-las aprisiono-as naquele quadrado, e imediatamente sinto-me péssima. Enquanto satisfaço meu particular prazer, prendo coloridos em papéis avulsos, na esperança de que alguém, com o olhar, os libertem.

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